Empresa ligada a Toffoli tem capital de R$ 150 e funciona em imóvel residencial no interior de SP

Empresa ligada a Toffoli tem capital de R$ 150 e funciona em imóvel residencial no interior de SP

Investigação da PF cita menções a pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa; ministro afirma que nunca recebeu valores

A Maridt Participações S.A., empresa da qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli é sócio, possui capital social declarado de R$ 150 e tem sede em um imóvel residencial na cidade de Marília, no interior de São Paulo.

Segundo registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo, o nome de Toffoli não aparece no quadro societário formal, já que, pela natureza da empresa, apenas os administradores precisam constar na documentação. São citados como sócios o irmão do ministro, José Eugênio Dias Toffoli, e o sobrinho Igor Pires Toffoli.

De acordo com o contrato social, a sede da empresa funciona na residência de José Eugênio, localizada na Rua Doutor Zoroastro Gouveia, em área residencial de Marília. Criada em 2020, a Maridt descreve como atividades a participação societária em empresas e holdings não financeiras, além da compra e venda de imóveis próprios.

A empresa foi sócia do resort Tayaya e vendeu sua participação ao Fundo Arllen, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Posteriormente, houve alienação de saldo remanescente à empresa PHD Holding, conforme informado pelo gabinete do ministro.

Como revelou a CNN, investigadores da Polícia Federal (PF), no âmbito das apurações sobre o caso do Banco Master, identificaram no celular de Daniel Vorcaro conversas com menções a pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa ligada a Toffoli. Os agentes afirmam, contudo, que ainda não há comprovação de que os valores tenham sido efetivamente transferidos ao ministro ou a intermediários.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar, regularmente registrada e com declarações anuais à Receita Federal. O ministro declarou que integra o quadro societário, mas que a administração é exercida por familiares, conforme permitido pela Lei Orgânica da Magistratura, que autoriza magistrados a participarem de empresas, desde que não atuem na gestão.

Toffoli também declarou que desconhece o gestor do Fundo Arllen e que jamais manteve relação de amizade com Daniel Vorcaro. Segundo a nota, o ministro afirma que nunca recebeu qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.

A reportagem informa que a Maridt foi procurada, mas não houve manifestação até a publicação da matéria.

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